O livro Encantarias vol. 1: Histórias de uma Amazônia futurista é o primeiro livro lançado de modo colaborativo pelo Coletivo Visagem de Escritores de Fantasia e Ficção Científica, vencedor do Prêmio Manaus de Conexões Culturais, via Lei Aldir Blanc, promovido pela Manauscult, e já está disponível gratuitamente aqui.

Além do formato e-book, Encantarias também é disponibilizado semanalmente, em formato audiobook, na plataforma Spotify, como uma ferramenta de acessibilidade para leitores cegos. O primeiro conto já se encontra disponível e pode ser conferido aqui.

Para o primeiro volume, o Coletivo Visagem elegeu o Amazofuturismo como o tema central da obra, uma variante da ficção científica que trata sobre formas sustentáveis de lidarmos com a natureza e seus mistérios, inclusive nossa ancestralidade, tradições e folclore, inspirado pelos trabalhos do artista rondoniense João Queiroz.

Os contos são assinados pelos autores Jan Santos (“O dia em que enterrei Miguel Arcanjo”), Leila Plácido (“Quase o fim”), Carol Peace (“Almas de Plástico”), Dante Saboia (“2084: Mundos cyberpunks”), Luiz Andrade (“Belas Águas Tristes”), e Jefter Haad (“As pitorescas aventuras do Mamelinho”), com edição e revisão de Tammy Rosas e projeto gráfico de Yan Bentes.

Segundo Jan Santos, escritor e membro do Visagem, a força que moveu a escrita dos contos é tanto ecológica quanto inclusiva: “A crise ambiental que se agrava em nosso país exige da arte uma resposta à altura, e o Encantarias é a forma como nós, artistas do Norte, percebemos essa situação e tentamos não apenas disparar um alerta vermelho, mas também mostrar que há possibilidades melhores de nos relacionarmos com nossa natureza. Além disso, veiculamos seu conteúdo de maneira acessível para alcançar o máximo de leitores possível com nossa mensagem, uma vez que a arte é um direito de todos”.

“O convite para escrever sobre Amazonfurismo foi um presente. A experiência toda foi nova para mim e no decorrer do processo aprendi bastante. Embora, meu conto se passe numa Amazônia distópica, devastada pelas ações antrópicas (só confirma se escrevi certo mano), há espaço para olhares de esperança e de futuros mais felizes no Amazonfurismo. Posso dizer que, como escritora, a experiência foi transformadora”, afirma Leila Plácido, uma das artistas envolvidas no projeto.

“Só há um caminho a seguir. Ou nos reconhecemos, não como senhores da flora e fauna, mas como partes menores de um todo muito maior que nós… ou perecemos. Que esse mundo tenha o Destino derradeiro de virar de cabeça para baixo. E que essa antologia possa colaborar com esse novo futuro”, afirma João Queiroz, em um texto escrito exclusivamente para ressaltar a influência de seus trabalhos na publicação do Coletivo Visagem.

Coletivo Visagem

O coletivo vem com a proposta de articular ações e iniciativas de alguns dos escritores de Fantasia e Ficção Científica de Manaus, com o objetivo de potencializar o alcance de cada uma.

A ideia, conforme Jan Santos, nasceu do fato de que todos os participantes, a maioria “lobos solitários”, poderiam fazer mais pelo próprio trabalho e pelo fomento da prática da leitura e da escrita em Manaus se trabalhassem juntos, se pensassem juntos, a fim de destacar a potencialidade da Literatura manauara para a Fantasia e a Ficção Científica.

Atualmente, o coletivo conta com escritores das mais diversas vertentes da fantasia, incluindo Jan Santos (autor de “O dia em que enterrei Miguel Arcanjo e outros contos de fadas”), Tammy Rosas (produtora cultural), Carol Peace (“A Ponte”), Dante Saboia (“2084: Mundos cyberpunks”), Luiz Andrade (“Trovão”), Rafael Rodrigues (“Cat Spirit), Jefter Haad (“Daemonun Sigillum”), Leila Plácido (“Quase o fim”), Lucas Barbosa (“Amaimon”) e Tom de Oliveira (Eu sou Ar e Tom).

Nascido em setembro de 2019, o coletivo já articula número considerável de ações, entre elas a publicação da revista eletrônica Folharal, com produção criativa de artistas independentes da cidade  o Clubinho da Madrugada, projeto social que leva oficinas e minicursos de escrita e leitura para escolas e demais instituições públicas, os ELFA – Encontro de Literatura Fantástica, reuniões temáticas de caráter bimestral realizadas em parceria com a Biblioteca Pública do Amazonas, que visam reunir os amantes do gênero, e a I FLAMA – Feira Literária do Amazonas.

*Reprodução

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