Coari, quinto maior município do Amazonas, é a cidade mais populosa do Brasil que ficou sem registrar mortes por Covid no mês de julho, de acordo com levantamento feito pelo G1, usando dados tabulados pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa.

O município, que fica a 450 quilômetros de Manaus, conta com 85.910 habitantes. Em Coari, atualmente, pessoas com 18 anos ou mais já podem se vacinar contra Covid. A última morte pela doença registrada na cidade foi em 15 de junho.

Em julho deste ano, 31% dos municípios brasileiros não registraram mortes em decorrência da doença, o maior número dos últimos cinco meses. Foram 1.705 cidades sem notificação de óbito no mês passado (veja no vídeo abaixo a situação em todo o país, mês a mês).

De acordo com o infectologista do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, os números são reflexos da imunização. Segundo a prefeitura, o município já vacinou 58,8% da população maior de 18 anos com pelo menos uma dose, e 34% com a segunda dose.

Para Kfouri, os impactos da vacinação no país começam a ser notados em relação a quadros graves, hospitalizações e mortes, especialmente em municípios e estados onde o alcance da vacinação dos grupos mais vulneráveis já ocorreu.

O infectologista ressalta que a vacinação também é importante para prevenir formas graves da doença ocasionadas pelo vírus ou de variantes. “O impacto [da vacina] nas formas graves é o que se espera. É que a doença, à despeito da circulação maior que ocorre em boa parte do País com a chegada da variante Delta, não impacte em formas graves, ou seja, a vacina continua protegendo formas graves, hospitalizações e mortes”, conclui.

O diretor do Hospital Regional de Coari, Fabrício Botelho, também atribui a redução do número de mortes à intensificação da vacinação no município.

Fabrício conta que a queda de mortes por Covid na cidade representa alívio para ele, que também é enfermeiro e atuou na linha de frente contra a pandemia.

“Eu tenho o sentimento de gratidão primeiramente a Deus e aos profissionais que, em nenhum momento, recuaram quando foram escalados para estarem na linha de frente dessa avassaladora pandemia, pois estamos lidando com algo desconhecido. O que fica é o aprendizado do dia a dia e a satisfação de ter conseguido salvar muitas vidas com os cuidados prestados”, conclui.

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