O Pantanal já registra o número mensal mais alto de focos de incêndio desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998: foram 6.048 pontos de queimadas registrados no bioma desde o dia 1º de setembro até quarta-feira (23), o dado mais recentêndio no bioma.

Em comparação a 2019, quando setembro teve 2.887 focos detectados em 30 dias, o mesmo mês de 2020 já apresenta uma alta de 109%. O número de focos neste mês está 211% acima da média histórica do Inpe para setembro, que é de 1.944 pontos de incêndio.

Este mês já era o setembro com mais focos de incêndio no bioma.

Em agosto, foi registrado o segundo maior número de queimadas para o mês; julho também registrou um recorde mensal.

Setembro é o mês mais crítico – então, no ritmo que os incêndios vinham no Pantanal, não é de se estranhar que esse mês tenha batido recorde, ainda que faltem seis dias para o mês terminar”, avalia o engenheiro florestal Vinícius Freitas Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), que monitora o Pantanal em Mato Grosso.

“Esse é o resultado dessa seca bastante intensa – e, principalmente, dos incêndios que estavam ativos que não foram combatidos com a eficiência necessária frente ao tamanho desse problema”, afirma o engenheiro.

A região enfrenta uma falta de chuvas histórica: é o maior período de estiagem em 47 anos, de acordo com o diretor-executivo da SOS Pantanal Felipe Augusto Dias. Ele avalia que a chuva é a única perspectiva de melhora na situação, e, apesar dos registros de chuvas nos últimos dias, elas não foram suficientes para apagar definitivamente os incêndios, segundo o diretor.

Já Silgueiro avalia que ainda é cedo para avaliar o reflexo das chuvas na redução dos incêndios, embora a umidade contribua para que eles se espalhem de forma mais lenta.

Estava um cenário sinistro aqui de fumaça, mas reduziu muito. Choveu bem, muito bem mesmo, no domingo, e mudou o tempo – ficou mais fresco e abaixou bem a fumaça que estava no ar. Certamente, os incêndios que estavam aqui deram uma controlada. Só que choveu bem mais [aqui] do que choveu na região do Pantanal”, pondera Silgueiro, que mora em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso (onde o bioma já é o da Amazônia).

Recorde anual

Três meses antes de terminar, 2020 também já ultrapassou o recorde de queimadas em um ano para o Pantanal: foram 16.201 focos registrados desde janeiro até quarta-feira (23). Antes, o número mais alto havia sido registrado em 2005, com 12.536 focos em todo o ano.

*G1

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