Coisas que todo mundo quer na vida: ganhar dinheiro, ser bem sucedido, encontrar um amor e…saber qual será o desfecho de Game of Thrones. Figurante da oitava e última temporada da série, que começa a ser exibida pela HBO neste domingo (14), um jovem de Sorocaba (SP) já sabe o destino do Trono de Ferro, mas não pode contar para ninguém.

Ao lado de outros poucos brasileiros, o jovem de 28 anos, que pediu para não ser identificado, participou das gravações dos seis capítulos finais do programa em Belfast, capital da Irlanda do Norte, entre outubro de 2017 e abril de 2018. De lá para cá passou um ano guardando o segredo sobre o que acontecerá com cada personagem – tudo por causa de um termo de confidencialidade.

O termo é tão restrito que ele não pôde nem “ostentar” nas redes sociais as fotos que tirou ao lado de astros como Kit Harington e Emilia Clarke – que vivem Jon Snow e Daenerys Targaryen.

“Se eu soltar as fotos que tenho, levo um processo da HBO. Nós assinamos um contrato que diz que se divulgarmos qualquer tipo de spoiler ou foto tirada no estúdio somos processados. A pena é de dois a cinco anos. Se abrir a boca vou preso”, explica.

Fã da série desde as primeiras temporadas, o jovem mal acreditou quando recebeu a missão de interpretar um dos comandantes do Exército dos Imaculados, liderado pelos personagens Verme Cinzento e Daenerys Targaryen.

Para evitar que as pessoas tirassem fotos e registrassem vídeos durante as gravações, as câmeras dos celulares de todos que participavam das filmagens eram cobertas com adesivos. Quando chegava em casa, o sorocabano tirava o adesivo da câmera e colocava na parte de trás do celular para guardar como “lembrança” do estúdio.

“Uma vez pegaram um cara com um celular no set e ele saiu algemado”, lembra.

Traduzido do inglês, o contrato diz o seguinte: “Por favor respeito total à natureza confidencial de Game of Thrones. Você não deve discutir, divulgar ou publicar qualquer informação a respeito de Game of Thrones na imprensa ou qualquer meio de comunicação. Não é permitido tirar fotos ou fazer gravações relacionadas à série, seja no set, em locações, por trás das cenas ou em qualquer lugar. Postar informações em redes sociais como Facebook ou Twitter, em blogs de mensagens multimídias (por exemplo SMS, MMS, e-mail e outras tecnologias) é estritamente proibido. Se você fizer será removido da produção e pode ser processado pela HBO por violação de contrato. Isso também comprometerá qualquer futuro trabalho com o departamento. Isso continua se aplicando mesmo depois que Game of Thrones for ao ar na TV.”

Rotina de gravação

Antes de ficar frente a frente com as câmeras, o rapaz passou por um treinamento militar ao lado de outros figurantes. Foram três semanas de preparação para as cenas de batalha da série.

Começou, então, a rotina de gravação, que geralmente tinha início às 4h e só se encerrava por volta das 19h. Eram duas horas só de viagem entre Dublin e Belfast. Às vezes o sorocabano ia de ônibus, em outras pegava carona com um amigo das Filipinas – eram cinco pessoas no carro e cada uma contribuía com 10 euros.

Assim que chegava à capital da Irlanda do Norte, ele ia direto para um hostel, de onde pegava um táxi para o estúdio. Em seguida, usava o ônibus da série para ir a outro estúdio, em uma viagem que demorava mais uma hora.

“Quando chegava, o pessoal da produção colocava os adesivos no celular e eu ficava esperando a chamada do meu número. Quando chamavam, eu ia até onde ficam as trocas de roupa para me trocar, tomava café e seguia para o set de filmagem. Pegávamos uma van que andava mais uns 15 minutos. Chegando na tenda, tinha outra chamada para pegar as lanças, escudos e facas. Só aí que começava a gravação”, relata.

Ele conta que os gastos com comida em Belfast eram todos pagos pela produção. Apenas o hostel, que custava cerca de 8 libras por dia para quem trabalhava no estúdio, ficava por conta dele.

“A única dificuldade que tive durante as gravações foi o frio. Já gravei com temperaturas de -7º C, com chuva…era muito frio.”

Melhor experiência da vida

Além do sonho realizado, o sorocabano conta que encheu o bolso: eram 200 libras na conta por dia de gravação, o equivalente a aproximadamente R$ 1 mil. Com o fim dos trabalhos, ele usou o dinheiro para tirar a cidadania europeia.

E o que começou como um hobby acabou dando lugar a uma oportunidade de emprego longe do Brasil.

“Estou vendo um curso de atuação para fazer, mas só depois de maio, porque estou indo para a Tailândia, onde vou me casar”, completa.

Após Game of Thrones, o jovem participou da série policial Quantico e se inscreveu para ser figurante no filme The Green Knight e na série Dublin Murder.

Mas ter ajudado a contar um pouco da história de Westeros vai ficar na lembrança – e em algumas poucas fotos – para sempre.

“Foi a melhor experiência da minha vida. Só posso dizer que essa última temporada vai ser a mais das mais. Eu não vejo a hora de ver, ansiedade está a mil.”

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