No mês de agosto, empresas da região Norte do Brasil registraram um crescimento de 24% nas vendas diárias com Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), com R$1,91 bilhão, em comparação ao mesmo período de 2019, quando o valor foi de R$ 1,53 bilhão. Em relação ao mês de julho deste ano, o crescimento foi de 5,1%, período em que o comércio geral registrou R$ 1,8 bilhão. Os dados foram levantados pela Receita Federal e divulgados no boletim mensal sobre NF-e.

A média de vendas diárias nacional em agosto deste ano registrou o maior crescimento de todos os meses anteriores. Foram R$26,8 bilhões neste período, 4,4% a mais do que julho deste ano e 13,4% a mais do que agosto de 2019. O boletim informou ainda que o crescimento foi observado em todas as regiões. No setor da indústria, o mês alcançou a maior alta do ano, com R$14,2 bilhões, 9,8% a mais que o mesmo período em 2019.

O comércio também manteve aumento no último trimestre, sendo R$ 9,1 bilhões em junho, R$9,8 bilhões em julho e R$10 bilhões em agosto, um crescimento de 1,7% . Pela necessidade de isolamento social, as vendas do comércio eletrônico se mantêm altas desde junho, alcançando R$0,68 bilhões no mês de agosto, 48% maiores que o mesmo período de 2019.

O estudante Daniel Lira, 21, também aderiu às compras virtuais neste período, para adquirir um celular. Ele conta que o auxílio emergencial influenciou para a realização da compra, pois a incerteza da renda familiar era uma preocupação.

“O auxílio emergencial teve uma influência sutil na compra de meu novo celular, pois estávamos [família] um tanto pensativos sobre como iria ficar a renda familiar, devido a pandêmica gerência econômica nociva do tempo específico. Portanto, com o surgimento do auxílio emergencial, sentimos [família] uma aliviada. Dessa forma, pagamos as contas atrasadas, nos proporcionando a oportunidade de comprar um novo celular. Eu costumo comprar algumas coisas pela internet, mas nunca havia comprado um celular. O aparelho que eu almejava e o cenário pandêmico me fez pesquisar bastante e concluir que seria em todo caso, melhor ainda comprar online”, afirma o jovem.

Aumento progressivo

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior, o aumento nas compras durante os últimos meses se deu, em parte, pelo aumento do poder aquisitivo proporcionado pelo auxílio emergencial.

“O aumento se deve pela própria questão, que apesar de estarmos num momento de uma pandemia, em que as atividades econômicas começam a voltar ao normal e a serem liberadas pelo governo, tivemos um fator que influenciou nesse resultado que foi o próprio auxílio emergencial, que muitas pessoas receberam para não ficar sem renda, e foi injetado na economia e provocou esse resultado positivo. Nós estamos observando um resultado que vem da intervenção do Amazonas, para que a crise não se tornasse tão aguda”, afirma o economista.

O total das vendas com veículos motos, partes e peças foi de R$101 bilhões em agosto de 2020, o que resultou no maior pico no ano, sendo 22% a mais que a média do primeiro trimestre e 8,6% maior que julho, que teve o total de R$93 bilhões. Combustíveis e lubrificantes tiveram uma queda de vendas entre março e junho, mas voltou a crescer em agosto, com R$105 bilhões, a maior receita de todos os produtos apresentados.

Incerteza

Mourão Júnior afirma ainda que até o final do ano os números podem não se elevar tanto, principalmente pela diminuição dos valores de auxílio emergencial e pela segunda onda da Covid-19, gerando incertezas. Para ele, é provável que muitas empresas tenham começado a aumentar a produção para não sofrer tanto com um possível segundo pico da pandemia na região.

“No momento em que as pessoas visualizam que pode ter uma parada de produção, elas visualizam numa questão estratégica de criar pelo menos um estoque, que possa ser usado tanto para produzir [matéria-prima], quanto para produtos acabados, prontos”, afirma o presidente do Corecon-AM. O aumento marca um período fora do comum no cenário atual, mesmo com o fortalecimento de diversos setores, outros ainda continuam em baixa, mas seguem em recuperação.

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