Mesmo em meio a uma pandemia e após viver colapsos no sistema de saúde e funerário, entre os meses de abril e maio, e ter a reabertura total de atividades, Manaus registra noites de festas e muita aglomeração.

Vídeos que são compartilhados em redes sociais mostram total desrespeitos às normas sanitárias de distanciamento social e do uso obrigatório de máscara, que estão em vigor em todo o estado desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Em coletiva de imprensa realizada na semana passada, o Governo do Amazonas chegou a exibir alguns vídeos mostrando algumas aglomerações que ocorreram na cidade. Na ocasião, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, disse que essa movimentação tem levado a uma desaceleração na queda de casos de Covid-19 na capital.

Nessa quarta-feira (16), a FVS também confirmou um aumento no número de internações por conta da doença na rede particular, que registra taxa de 72,8% dos leitos de UTI.

“Os nossos dados demonstram um pequeno crescimento no número de casos em unidades privadas de saúde, principalmente em pessoas das classes A e B. Temos muitos profissionais liberais que estão sendo afetados e os locais de exposição onde essas pessoas contraíram o vírus são, principalmente, área de recreação”, disse Rosemary.

Ainda segundo a diretora da FVS, a investigação de novos casos não se deu apenas em festas, mas também em passeios de barco, visitas aos flutuantes e balneários da cidade, além de casas noturnas.

Para quem permanece em casa ou está seguindo as orientações sanitárias do governo, o sentimento é de revolta. A professora Márcia Gomes, que mora na Avenida Tarumã, na Praça 14, falou que as aglomerações são constantes na região onde ela mora. No domingo, a situação piora.

“Tem aglomerações em todo lugar. Perto de casa, no domingo, vejo muita gente soltando papagaio, sem máscara e sem nenhum distanciamento. E nas lanchonetes, praças aqui por perto, também. O pessoal não está levando a sério as recomendações sobre o distanciamento social e nem sobre o uso obrigatório de máscaras”, disse a professora, que segue em isolamento.

Um morador da região que prefere não ser identificado também falou sobre as aglomerações que acontecem constantemente na área. Segundo ele, uma festa em um bar que acontece todas as sextas-feiras na Rua Major Gabriel é um “poço de contaminação” da Covid-19.

“Ninguém usa máscara, não tem distanciamento e nem nada. E o problema é que eles não estão nem aí. Se só eles corressem risco, ok. Mas eles colocam em risco a vida de todos, pois, quem passa na rua também pode se contaminar, já que é uma aglomeração sem fim. A polícia sempre vem, mas eles assinam um termo e logo continuam os desrespeitos. E se a gente reclama ainda ficam com cara feia. É um absurdo. A doença está aí. Ela não desapareceu”.

Uma moradora do bairro São Francisco explicou que poucos idosos estão nas ruas, mas várias festas voltaram a ser realizadas na região. “Tem festa, já fizeram feijoada beneficente. E o que a gente também vê é aluno passando pra ir pra escola sem máscara. A galera não tá nem aí”.

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